Colhendo resultados: a importância dos dados para o agronegócio

Essenciais para a tomada de decisão e desenvolvimento de estratégias, os dados são considerados por muitos como o “ouro do milênio”. O tema rende discussões que vão da seara política e chegam ao agronegócio. Entretanto, o que qualifica um dado? Por que eles são cruciais para o agronegócio?

João Arlindo Neto, bibliotecário e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), destaca que o primeiro cuidado que todo gestor deve ter é o de diferenciar dado e informação, afinal, “os dados são conhecidos como a ‘informação’ em sua forma bruta, isto é, sem tratamento, sem análise. Portanto, não apresentam sentido até que se trabalhe sobre eles. Podemos identificar a presença de dados no nosso dia a dia, como por exemplo, nossos dados pessoais, de comportamento e consumo na internet são coletados a todo momento e comercializados por grandes empresas”, pontua.

A utilização de dados para a tomada de decisão não é algo novo, entretanto, seu uso aliado a tecnologia pode fazer a diferença quando envolve estratégias de planejamento, redução de custos e até mesmo impacto ambiental. Para Nathan Caldana, doutorando em Agronomia/Agrometeorologia pela UEL, a utilização assertiva dos dados permite um planejamento a médio e longo prazo e pode ajudar no cotidiano do produtor: “A produção agrícola carece de um planejamento fragmentado e específico para cada uma de suas etapas. Variáveis como genótipo, condições do solo, manejo e especialmente de tempo/clima, visto que é a única variável da produção que o produtor não consegue controlar. O produtor agrícola, mais que ninguém, é quem mais conhece da sua área de trabalho e da sua lavoura, mas ferramentas podem auxiliar em seu planejamento diário e ser uma de suas grandes aliadas em seu trabalho”, avalia.

Para além da questão do planejamento, é necessário que gestores saibam de que forma a análise e a compreensão dos dados podem impactar a produção e seus desdobramentos. Nesse sentido, tem pouca serventia um amontoado de dados sem uma gestão do conhecimento pautada em diretrizes e estratégias definidas. Se no passado, a falta de planejamento podia ser remediada, atualmente, a trinca dados, tecnologia e ciência andam de mãos dadas e são os principais aliados para a produtividade, como ressalta João Neto: “Quando esses dados são trabalhados, estruturados, organizados e analisados, tornam-se informação. Logo, permitem a sua compreensão e apropriação. Somente a partir da coleta, estruturação, tratamento e disseminação desses dados que se tem a dimensão sobre determinada realidade”. O professor ainda acrescenta que “para a gestão do conhecimento, os dados configuram-se como elementos chave para se externalizar o conhecimento tácito e para estruturar o conhecimento explícito, que são advindos dos colaboradores, gestores e diretores de uma organização”.

Um exemplo acerca da utilização dos dados é a área meteorológica, comumente chamada de ‘clima’. Com informações que vão além da previsão do tempo, é possível avaliar possíveis riscos e perdas na produção: “de inúmeras formas, as informações meteorológicas podem prevenir os desastres causados em todas as esferas de planejamento agrícola e urbano. E isso, vai além da previsão do tempo. A instalação de sensores meteorológicos que monitorem condições climáticas e do solo em tempo real possibilitam ao produtor identificar como estão as fundamentais condições ambientais de sua produção e utilizá-las a seu favor”, destaca o doutorando.

Na questão ambiental, os dados podem contribuir para a avaliação da situação climática, mitigação dos impactos produtivos na terra, além de ser uma ferramenta de medição para a sustentabilidade, como evidencia Nathan: “Em caso de uso de irrigação e agroquímicos, estes podem ser evitados e utilizados conscientemente tendo acesso a dados em tempo real, e evitando assim, gastos desnecessários. E os benefícios vão além de sua lavoura, visto que a agricultura é um dos segmentos econômicos que mais causa alterações ambientais e mudanças climáticas[…]Tendo informação e um planejamento adequado, além de aumentar a rentabilidade e produtividade de sua lavoura, o produtor rural pode contribuir com o menor impacto ambiental de sua atividade”.

Quando indagado sobre o porque os dados são considerados o “ouro do milênio”, o professor João Neto vai direto ao ponto: “Se retornarmos ao exemplo comentado anteriormente, temos que os dados pessoais, de comportamento e de consumo que são obtidos em redes sociais e sites de relacionamento, entretenimento, são comercializados entre grandes empresas à um custo inimaginável, sobretudo com o aparecimento da “Internet das coisas”, “Ciência de Dados”, “Big Data”, “Machine Learning’.  Quem detém informação tem o poder”, assinala.

Redação: César H.S. Rezende

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Cesar Rezende

About Cesar Rezende

Sou um TracePacker - Jornalista, mestre em Administração com ênfase em Política e Gestão Socioambiental pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cursando MBA em Gestão Tributária pela USP/Esalq.

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