EMBRAPA e 5G: conectividade para o agro

Referência quando o assunto é desenvolvimento em pesquisa, inovação e ciência, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ocupa lugar de destaque no agronegócio brasileiro. Além das pesquisas em melhoramento genético ou técnicas de plantio, a estatal também tem participado na implementação do 5G no país. A tecnologia, que é vista de forma positiva pelo setor,  pode melhorar  o uso de dados no campo, possibilitar mais agilidade no tratamento da informação, agregar valor e rapidez na comunicação, além de facilitar o monitoramento de plantações e culturas.

Londrina como ‘polo de inovação’

Escolhida por ter um sistema de inovação relevante, além de ser o 1º Polo de Inovação do Agronegócio instituído pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 2019 pela ministra Tereza Cristina, Londrina-PR sediou o evento que marcou o lançamento do 5G na região.

A escolha pela cidade levou em consideração inúmeros fatores, entretanto, o papel que a Embrapa desempenha foi um dos grandes diferenciais, como atesta Carina Rufino, Chefe de Transferência de Tecnologias da Embrapa Soja.

Evento: O agro conectado – Foto: César H.S. Rezende

Segundo ela, “a Embrapa liderou a organização dos casos de estudo demonstrados no campo na Vitrine de Tecnologias, envolvendo startups ligadas ao programa de inovação Soja Open Innovation, a governança Agrovalley e as cooperativas Integrada e Cocamar. A articulação para que Londrina fosse escolhida para receber o piloto foi liderada pela deputada Luisa Canziani (PTB), baseada na argumentação sobre o ecossistema de inovação Agrovalley e por Londrina ser o primeiro polo de inovação agro reconhecido pelo Ministério da Agricultura”.

Conectividade no campo

O fato de ser um polo de inovação relevante não elimina alguns desafios que a implementação do 5G enfrenta, como é o caso da conectividade no campo.

Segundo o estudo intitulado “Cenários e Perspectivas da Conectividade Para o Agro” realizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) em que foi mapeado e caracterizado o modelo telecom no meio rural brasileiro, o campo conta hoje com apenas 23% de cobertura de internet. Logo, a problemática da conectividade é um dos primeiros obstáculos.

“A conectividade é um dos grandes desafios que o setor enfrenta. A tecnologia 5G tem potencial de uso para novas aplicações que combinam velocidade, volume de dados e latência, ampliando definitivamente o escopo de soluções que permitam a tomada de decisão baseada em dados em tempo real. É um longo caminho a percorrer e o desenvolvimento dessas aplicações depende de investimentos em pesquisa, da capacidade empreendedora e da complementaridade de saberes de várias áreas do conhecimento”, ressalta Carina.

No caso de empresas que monitoram dados em tempo real, gerando insights e possibilitando uma agricultura de decisão para o produtor, como é o caso da Trace Pack, a falta de conectividade pode ser um empecilho para a ampliação e melhoria da produtividade no campo, entretanto, o ecossistema de inovação pode ser um dos vários canais de saída para os eventuais problemas e desafios já que requerem uma visão multidisciplinar sobre a situação.

Além da Embrapa, algumas startups também fazem parte da empreitada que é a implementação da tecnologia 5G. Pelo fato da infraestrutura exigir alto investimento, as soluções que as startups oferecem podem facilitar ou até mesmo mitigar alguns entraves.

“As startups têm um papel primordial nesse processo, pois reúnem empreendedores de diversas áreas do conhecimento, com foco na resolução de um problema a partir de novas perspectivas abertas pela tecnologia. A Trace Pack é um exemplo desse potencial, reunindo jovens talentosos da área de engenharia de telecomunicações, agrônomos e outros profissionais, para desenvolver uma nova aplicação que beneficia diretamente o produtor e diferentes segmentos do agro”.

Carina ainda pontua que “essa capacidade empreendedora instalada nas startups traz muita agilidade para o processo de inovação e transformação digital do agro”.

A expectativa com o 5G é grande e mesmo diante dos desafios, o otimismo com a implementação da tecnologia e seu retorno tanto financeiro quanto social, produtivo e ambiental são os principais elementos que o setor do agronegócio espera.

No caso da Embrapa, a expectativa está nas facilidades que a tecnologia poderá proporcionar. “O 5G deverá possibilitar que uma série de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), uso de drones, sensores, visão e simulação computacional cheguem mais fácil e mais rapidamente ao produtor para que ele consiga ter uma melhor tomada de decisão, produzir mais e gerar renda e emprego no agro brasileiro”, declara Carina. 

Além disso, Carina também pontua a questão da competitividade brasileira com uma tecnologia como o 5G.

Segundo ela, “O 5G abre portas para o desenvolvimento de soluções mais complexas no sentido de necessidade de banda, latência de sinal e velocidade de transmissão. Essas características podem acelerar o desenvolvimento de novas soluções para o agro, como as plataformas imersivas, realidade aumentada, uso de gêmeos digitais, inteligência artificial combinada a outras soluções de IoT, entre outras tecnologias que são transformadoras quando combinadas entre si”.

Em tempo

Enquanto Embrapa, agronegócio, startups, além dos ecossistemas de inovação se articulam no desenvolvimento e implementação  do 5G, a Agência Brasil informa que no último dia 13, “A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adiou a conclusão da análise do edital do leilão do 5G.

O adiamento ocorreu após pedido de vista feito pelo conselheiro Moisés Queiroz Moreira. A data para retomada da discussão não foi definida”.

No mesmo dia, o Ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), criticou a atitude da Anatel e destacou, sem apresentar quaisquer estudos ou estimativas, que o Brasil “perde 100 milhões por dia” com a demora do leilão do 5G.

Redação e Conteúdo: César H.S. Rezende

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