COMPETITIVIDADE e ESG pautam HDOM 2021

Competitividade e ESG pautaram a edição 2021 do HDOM Summit, evento organizado pela Malinovski, que aconteceu entre os dias 16 e 17 de novembro. Voltado para o setor florestal, o HDOM Summit também abordou temas como gestão de dados e transformação digital, economia brasileira, investimentos, mercado de carbono, entre outros.

Com 06 painéis de discussão, mais de 25 convidados e 310 participantes, a edição 2021 do HDOM SUMMIT aconteceu em formato híbrido e contou com a participação de players como Klabin, Suzano, Brasil Agro, Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), entre outros. A novidade desta edição foi a participação de startups como a Trace Pack, a Treevia e a sueca Katam Technologies.

Investimento florestal foi um dos temas discutidos na edição 2021 do HDOM Summit – FOTO: Mario Nakase Fotografia

Ricardo Malinovski, CEO da Malinovski, destaca que o formato híbrido foi uma alternativa viável devido ao momento pandêmico. Segundo ele, “obviamente, depois de quase 2 anos de pandemia, estávamos ansiosos para o encontro presencial com todos esses executivos e na expectativa se eles participariam em formato online ou presencial. […] Foi um grande reencontro que gerou bastante reflexão sobre temas importantes e estruturantes para o setor”. A seguir, os principais destaques e um overview do HDOM 2021:

Startups no HDOM 2021

A participação de startups na edição do HDOM 2021 foi uma grande novidade. Participantes e patrocinadoras do evento, Trace Pack, Treevia e Katam Technologies foram o diferencial em comparação a edição realizada em 2019. Renan Salvador, CEO da Trace Pack, vê como positiva a abertura para startups. Segundo ele, “a troca de experiências possibilita insights que fazem a diferença no nosso cotidiano como empresa”.

Representando a Katam Technologies, a engenheira florestal, Luiza Federici destacou que o conteúdo debatido no HDOM 2021 foi muito rico. Para ela, “um panorama sobre o mercado florestal foi traçado e ficamos contentes em ver pautas como tecnologia e inovação recebendo tanto destaque. É muito bacana saber que de alguma forma estamos fazendo parte desta mudança”.

A Treevia, que em 2019 participou como congressista e, nesta edição, como patrocinadora, destacou como o público qualificado do evento fez a diferença. “O evento é altamente qualificado e conta com a participação de profissionais de alta. Encontrar amigos, clientes, discutir parcerias estratégicas e temas relevantes que impactam o futuro da cadeia florestal (gestão, tecnologia, produtividade), foram os principais pontos altos”, frisou Esthevan Gasparoto, CEO da Treevia.

“Fazer essa conexão de jovens empreendedores com executivos florestais ajuda no fomento de inovações e tecnologias em um mercado extremamente forte e sedento por novidades”, ressalta Ricardo Malinovski. Para a próxima edição, em 2022, Malinovski espera atrair mais startups e, dessa forma, ampliar o leque de discussões. “A gente espera crescimento, mais engajamento e temos certeza que iremos atrair um público elevado e qualificado com mais empresas patrocinadoras e mais startups presentes”, destaca Malinovski.

Setor florestal e a competitividade brasileira

A competitividade brasileira no setor florestal movimentou as discussões acerca do tema. Em um momento em que o mundo ainda se recupera da crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, a crise energética e climática acendem um alerta para o setor. 

Daniel Mendes, CEO da Solida Brasil Madeiras, realçou que melhorar o ambiente competitivo do setor deve ser uma das prioridades. “Para os próximos 10 anos, haverá um déficit de 500 mil hectares. Se não houver ação, só os grandes sobreviverão”.

Para Jefferson Bueno Mendes, Diretor da BM2C – Business Management Consulting, o aumento na exportação de celulose destaca o bom momento vivido pelo setor. “Os principais clusters da indústria florestal estão se posicionando nessa retomada”, pontuou o diretor.

André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, reforçou o papel do Brasil na retomada mundial e aponta que o custo de capital deve ser o diferencial para a melhoria produtiva e de competitividade. “Garantir uma alimentação segura e uma economia competitiva é ideal nesse sentido. É preciso que haja uma política de Estado para o setor”, ressaltou Guillaumon.

O receio, segundo os debatedores, é que a competitividade brasileira e a produtividade caiam com a possibilidade da diminuição de chuvas, essencial para a floresta e, com isso, agrave a crise hídrica atingindo ainda mais a Amazônia, a Mata-Atlântica e o Cerrado. Segundo os debatedores, a retomada econômica e a competitividade brasileira para o setor florestal implica em desenvolver políticas públicas que levem em consideração as necessidades atuais como o ESG (Environmental, Social e Governance) e a sustentabilidade.

O ESG, inclusive, foi uma das principais demandas reforçadas por todos os debatedores. Dessa forma, o benchmarking pode contribuir independentemente do setor, como pontuou Guillaumon, “as ações desenvolvidas para o ESG no setor agrícola, podem contribuir para o setor florestal e vice-versa”.

Diretora-Executiva da Lorinvest, Maria Clara Assis pontuou a dificuldade de se implementar o mercado de carbono, entretanto, é necessário pensar em linhas de financiamento para o setor florestal que atendam a essa demanda. “É preciso que o país caminhe rumo a uma estabilidade econômica, sem incertezas”.

Economia brasileira e o setor de florestas

A economia brasileira e o setor de florestas foram elementos discutidos na Palestra Magna com o ex-governador do Espírito Santo e atual presidente do Ibá, Paulo Hartung. Com olhar para a sustentabilidade, Hartung defendeu que o setor florestal deve tomar a dianteira e enfrentar a emergência climática, que segundo ele, “é um desafio ao mesmo tempo que é uma oportunidade para o Brasil”.

Paulo Hartung durante a Palestra Magna no HDOM Summit 2021 – FOTO: Mario Nakase Fotografia

Para o ex-governador, a economia tem rodado em alta velocidade e a médio e longo prazo terá que se analisar a sustentabilidade disso. Defensor de reformas estruturais para a economia brasileira como as reformas previdenciária, administrativa e tributária, além da manutenção do Teto de Gastos, Hartung acredita que a modernização do setor público brasileiro deve permear tais discussões.

A COP 26 (Conferência do Clima), realizada em Gasglow esse ano, trouxe oportunidades para o setor florestal se destacar e agregar ainda mais em temas como o uso do solo e a sustentabilidade na floresta. Hartung acredita que o setor florestal soube se posicionar na COP 26 e que tal posicionamento está em consonância com as necessidades de uma retomada econômica verde.

Segundo Hartung, a oportunidade de uma retomada verde é atravessada por duas questões que devem ser encaradas pelo setor: a ilegalidade e o crime organizado na região amazônica. Para o ex-governador, tais situações abalam a imagem brasileira no setor florestal e tendem a piorar a competitividade do país caso a situação não seja resolvida de forma efetiva.

José Carlos da Fonseca, Diretor executivo do Ibá, pontuou que eram baixas as expectativas da participação brasileira na COP 26, entretanto, destacou que tanto a comitiva governamental quanto a parcela da sociedade civil organizada que estavam presentes no evento, souberam dialogar acerca das reais necessidades para a crise sanitária global. Segundo o diretor, “podemos fazer melhor e é esse sentimento de urgência que deve guiar as ações daqui para a frente”. 

Além da necessidade ambiental, Hartung enfatizou soluções que o setor florestal vem desenvolvendo. Entre eles, a celulose solúvel e os novos usos e aplicações da nanocelulose. Segundo ele, “a valorização da ciência deve guiar o olhar para o futuro do setor”.

Hartung, que se define como um ‘otimista moderado’, salientou que a efetividade de cumprir o que foi acordado na COP 26 implica em melhorar as condições para as agências públicas realizarem ações em relação ao desmatamento. Para ele, há um condicionamento em escolher sempre o caminho mais fácil. “Entre o certo e o fácil, ou seja, a visão eleitoreira e populista, o Brasil escolhe o facil”. Sem tais condições, segundo ele, o Brasil será “o eterno país do futuro que não se realiza”.

ESG para além das florestas

A agenda ESG (meio-ambiente, social e governança em tradução literal),  foi um dos principais pontos em praticamente todos os painéis de debate. A emergência climática, a crise energética e o desmatamento ilegal foram pontos abordados pelos painelistas que reforçaram a importância de se desenvolver uma agenda ESG efetiva e que de fato, funcione.

Adriana Maugeri, CEO da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), destacou que falar de responsabilidade social e sustentabilidade ficou flácido. Segundo ela, “o ESG não deve ser visto como um modismo ou apenas um discurso. Ele deve ser um processo calcado na prática”.

Tema bastante discutido, o ESG norteou os paineis – FOTO: Mario Nakase Fotografia

Uma das pautas levantadas na discussão foi a necessidade de se pensar os direitos humanos inserida na agenda ESG. Para Caio Zanardo, CEO da Veracel Celulose, “é preciso desenvolver ações que abordem os diferentes olhares, as pessoas, afinal, o mundo é complexo. É preciso ouvir a base”. 

Como apontou Antonio Joaquim de Oliveira, CEO da Dexco, a agenda ESG deve estar inserida na cultura organizacional da empresa. Segundo ele, “é um tema de cultura que a companhia deve inserir. As metas devem ser claras e moldadas com estratégia”.

CEO da Klabin, Cristiano Teixeira reforçou que o ESG traz uma perspectiva para enfrentar a crise ambiental e as mudanças climáticas. O CEO acredita que a governança, tema bastante discutido na agenda ESG, deve ser flexível e adaptada. 

“É preciso mostrar que investir em ESG não é um prejuízo, apesar dos custos. Temos que traduzir a questão da sustentabilidade ao pequeno e médio produtor e tirar esse olhar de custos e transformar em investimentos”, enfatizou Teixeira.

Dados em tempo real e a transformação digital

A utilização de dados em tempo real e a transformação digital na floresta também tiveram destaque na edição 2021 do HDOM Summit. Segundo os painelistas, “é um caminho sem volta. Temos que entender como usar na floresta”, destacou Moacyr Fantini Junior, Diretor Florestal da Veracel Celulose.

O painel abordou de que forma a transformação digital deve fazer parte do cotidiano florestal e deve ser entendida como uma jornada que não dá para ser realizada de forma unilateral.

Carlos Justo, Gerente de Operações Florestais na Eldorado, destacou que as soluções devem ser pensadas e desenvolvidas de forma conjunta. Segundo ele, “temos que entender a quantidade de informação, afinal, a resposta afasta, mas a pergunta aproxima”. 

Justo também defendeu a democratização do acesso tecnológico para pequenos e médio produtores e enfatizou que “a gestão da informação ajuda a tomada de decisão”. Para Júlio Ribeiro, Diretor Industrial e Técnico da Cenibra, “a tecnologia ajuda a tomar decisões rápidas e a minimizar os erros”.

A tecnologia 5G, aguardada por inúmeros setores, inclusive o florestal, também foi discutida. Foram destacados a velocidade para o processamento de dados e a importância disso para a operação remota. “Quando de fato o 5G chegar, irá simplificar o que temos”, destacou Fabiano Rodrigues, Diretor Florestal e Compras da Sylvamo.

Para Justo, a ideia da tecnologia 5G precisa ser amadurecida e há um longo caminho a ser percorrido. “Têm um período de maturidade muito grande para chegar. Maturidade de infraestrutura, no caso, porque são muitas antenas. Ainda é algo que está muito distante e acredito que não levará menos de 10 anos. Acredito que temos que olhar outras tecnologias que já temos e melhorar isso”, frisou.

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Redação e Conteúdo: César H.S Rezende

Arte: Luana Jardim

About Cesar Rezende

Sou um TracePacker - Jornalista, mestre em Administração com ênfase em Política e Gestão Socioambiental pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cursando MBA em Gestão Tributária pela USP/Esalq.

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