Tendências do agro e da floresta em 2022

Mesmo com uma economia que ainda sofre os efeitos causados pela pandemia, o agronegócio brasileiro e o setor florestal fizeram a diferença em 2021.

Ainda que o resultado oficial do PIB de 2021 seja conhecido apenas em março, alguns dados já permitem entender como alguns setores se comportaram em relação ao ano passado e, dessa forma, traçar estratégias.

Pensando nisso, a Trace Pack conversou com referências desses setores sobre qual o balanço de 2021 e quais as possíveis tendências para 2022.

Agtehc Trace Pack espera crescer acima de 200% em 2022

Startups em crescimento

Segundo matéria publicada na revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, o Brasil domina o ecossistema latino-americano de startups. Com 17.987 empresas do tipo, o país representa 77% do mercado e concentra 70% dos investimentos na região segundo dados da Sling Hub, startup que reúne dados sobre os atores da inovação na América Latina.

Para 2022, espera-se que o setor continue em expansão. O caso da Trace Pack, startup que transforma dados de maquinários agrícolas e florestais em decisões estratégicas em tempo real, ilustra o cenário, já que a empresa espera crescer mais de 200% segundo estimativas do CEO Renan Salvador.

Otávio Celidônio, diretor executivo do Agrihub ressalta que mesmo com um ano eleitoral e com incertezas em relação ao Covid-19, o setor segue firme. Para o diretor, o diferencial continua sendo a inovação. 

“É um ano para os produtores investirem, buscarem novas soluções e tecnologias. Aprendemos a conviver com a pandemia, aos poucos as feiras agropecuárias estão voltando e se adequando com essa nova realidade […] a inovação segue sendo o nosso diferencial econômico e continuamos avançando. Teremos um ano com mais tecnologias chegando na ponta e o produtor produzindo cada vez mais”, destaca Celidônio.

Agronegócio segue firme

Nicole Rennó, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-USP), destaca que culturas além da soja contribuíram para melhorar o PIB do setor agropecuário em 2021. “Por outro lado, culturas que tiveram quedas de produção e atuaram como forças contrárias como milho, cana, café e algodão são as principais que ajudaram a segurar a produção agrícola […] Tivemos aumento super relevante para grãos, para o café e cana que são produtos importantes do PIB”.

O agro cada vez mais conectado será o diferencial do setor

Para este ano, a expectativa é de melhora, principalmente, por conta do câmbio. “A expectativa é que aumente as exportações e nós temos grandes economias parcerias com previsão de crescimento, logo, nós temos demanda e também o câmbio desvalorizado o que favorece a receita de exportação. 

Ela ainda pontua que “historicamente, o agronegócio tem esse comportamento de resiliência em relação às crises econômicas e isso se deve ao tipo de negócio que o agronegócio produz. Em um ano com atividade mais fraca, pandemia, ano eleitoral a demanda por alimentos não tende a cair”.

Nicole Rennó, pesquisadora do CEPEA-USP

Mesmo considerando um ano desafiador, a pesquisadora é otimista. “O maior desafio para esse ano será a alta intensa dos fatores de produção. Esse fator já pesou sobre a pecuária em 2021 e isso se manterá nesse setor e estará presente também na agropecuária. A expectativa é que os preços dos produtos agropecuários e agroindustriais continuem elevados, mas que tenhamos esse aumento acima dos custos de produção em 2022”, assinala.

Setor florestal em expansão

No caso do setor florestal, a estimativa para 2022 é de crescimento maior do que em 2021. Para o CEO da Malinovski, Ricardo Malinovski, a expectativa é que o setor reforce as estratégias para crescer ainda mais.

“A percepção para 2022 em função da possibilidade da continuidade do valor do dólar acima de R $5,30 é que o setor continue extremamente aquecido em todos os seus segmentos (madeira serrada, molduras, painéis em geral, celulose e papel, biomassa e etc)”, destaca Malinovski.

Setor florestal continuará aquecido, segundo Ricardo Malinovski

Nessa etapa, reforça Malinovski, o planejamento é essencial e o gestor deve olhar para o cenário macro e microeconômico do país. “Em função da continuidade deste aquecimento poderá haver escassez e/ou atrasos na entrega de máquinas, equipamentos, insumos e etc. O planejamento de curto e médio prazo terá que ser muito bem executado para que nenhuma fábrica pare por falta de insumos. Obviamente, a preocupação com a inflação também será pauta prioritária para os gestores”.

ESG e tecnologias

O ESG e a crise climática foram dois temas bastantes discutidos em 2021. A crise ambiental e climática segue gerando incerteza nos mercados e em alguns casos já é dada como certa. 

Para Rennó, o ano de 2022 deve ser do Brasil se destacar e tomar a dianteira em relação ao debate. Segundo ela, o foco deve se concentrar em médio e longo prazo e o país deve aproveitar a vantagem competitiva que possui.

Tecnologia e ESG devem andar de forma conjunta

“Temos uma matriz energética limpa, somos grandes produtores de biocombustíveis, nós temos esse ativo gigantesco que são as florestas em pé, nossas cadeias de alimentos são muito eficientes. Como o Brasil é grande exportador e comercializa com muitos países, uma multiplicidade de países, nossas cadeias, muitas delas, mas não todas, estão acostumadas a lidar com uma diversidade de conjunto de regras e padrões, então já andamos uma parte do caminho”.

A pesquisadora acredita que o ESG é uma necessidade do consumidor. “Essa agenda mais sustentável ela já está dada, está imposta e não apenas pelo consumidor, que hoje vai ao supermercado e valoriza esse tipo de posicionamento, mas também imposta por grandes compradores e importadores do produto brasileiro”.

Já para Malinovski a tendência é que o debate se fortaleça em torno das tecnologias para mitigar os impactos. O CEO afirma que o 5G é o fio condutor para esse tipo de discussão “acredito que muitas áreas vão se desenvolver com potencial exponencial para os próximos anos como: novos produtos ligados à bioeconomia, sustentabilidade, créditos de carbono, compensação ambiental, conectividade no campo, 5G, etc”, finaliza.

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Redação e Conteúdo: César H.S Rezende

Arte: Luana Jardim

About Cesar Rezende

Sou um TracePacker - Jornalista, mestre em Administração com ênfase em Política e Gestão Socioambiental pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cursando MBA em Gestão Tributária pela USP/Esalq.

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